Dicionário político

Perestroika

Literalmente "reconstrução" foi, juntamente com Glasnost (transparência) a principal plataforma política de Mikhail Gorbachev nos últimos anos da União Soviética. Em junho de 1987 na reunião plenária do PCUS foi apresentado o trabalho "Fundamentos da Reestruturação Radical da Administração Econômica", através do qual se pretendia enfatizar a mudança de métodos de direção, de primordialmente administrativos para primordialmente econômicos. Em seu livro Perestroika, Gorbachev afirma: "A Reforma tem como base a ampliação considerável da independência das empresas e associações, sua transição para o sistema de total autocomputação de custos e autofinanciamento e a concessão e a concessão de todos os direitos apropriados aos coletivos de trabalho. De agora em diante eles serão totalmente responsáveis por uma administração eficiente e resultados finais.", e acrescentou: "A finalidade desta reforma é garantir, no prazo de dois a três anos, a transição de um sistema de direção excessivamente centralizado e dependente de ordens superiores para um sistema democrático baseado na combinação de centralismo democrático e autogestão." A Perestroika não teve sucesso, desmantelou o planejamento centralizado da economia soviética criando caos econômico contribuindo para a desintegração da antiga União Soviética.

Harpal Brar em "Como o revisionismo kruschevista destruiu a União Soviética" afirma:

"Para acelerar o processo de restauração capitalista, tendo expurgado vários elementos do Partido com os quais não poderia contar, Gorbachev iniciou suas notórias políticas da glasnost e perestroika. A primeira desempenhou, no plano ideológico, o mesmo papel que a segunda no plano econômico. Se a perestroika visava restaurar completamente as relações capitalistas de produção destruindo todos os remanescentes de uma planificação centralizada, glasnost almejava destruir o que restara da ciência marxista-leninista na vida política e institucional da URSS, substituindo-a, então, pelas normas características da democracia burguesa. Combinadas, estas duas políticas se tornaram um autêntico atentado contra o socialismo – um programa contra-revolucionário que visava minar a liderança do Partido Comunista, a propriedade estatal, a planificação central e a integridade multinacional da União Soviética."