Dicionário político

Macarthismo

Panfleto Macarthismo - By Keep America Committee. - Reproduction of the original flyer. Reproduced in Marmor, Judd. "Psychodynamics of Group Opposition to Mental Health Programs", in Psychiatry in Transition, p. 362. Butterworth, 1974. Original work dated May 16, 1955 and attributed to the Keep America Committee. Scan uploaded by ChrisO., Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=8043057

(1947-1959): onda de repressão política e perseguição aos comunistas nos Estados Unidos liderada pelo senador norte-americano Joseph McCarthy e que promoveu uma intensa campanha pela depuração dos “subversivos”, que, segundo McCarthy, estavam em todas as instituições da sociedade norte-americana. Segundo Hobsbawm, em sua obra "Era dos Extremos", o macarthismo foi um dos períodos mais sombrios da história do país, um sinistro e irracional frenesi de caça às bruxas. O macarthismo começou antes da ascensão de McCarthy à fama nacional nos Estados Unidos. Já em 1947, o presidente Harry S. Truman assinou uma ordem executiva determinando examinar os funcionários federais quanto à possível associação com organizações consideradas "totalitárias, fascistas, comunistas ou subversivas" ou que defendessem "a alteração da forma de governo dos Estados Unidos por meios inconstitucionais". Em fevereiro de 1950, McCarthy fez um discurso alegando ter uma lista de membros do Partido Comunista dos EUA que trabalhavam no Departamento de Estado. O discurso teve repercursão na imprensa, e no mes seguinte o termo "macarthismo" foi cunhado pelo periódico The Christian Science Monitor que foi um dos primeiros e mais consistentes críticos do senador. No dia seguinte à publicação do The Christian Science Monitor, o jornal The Washington Post publicou uma caricatura política na qual aparecia o termo macarthismo. Com o tempo a expressão macarthismo adquiriu um sentido mais amplo e passou a ser usada para descrever situações semelhantes de repressão e de acusações sem fundamento, além de ataques pessoais demagógicos aos adversários políticos. O macarthismo foi apoiado por diversos grupos, e várias outras organizações anticomunistas. Um elemento central de apoio era uma variedade de grupos de mulheres anticomunistas, como o American Public Relations Forum e o Minute Women of the U.S.A.. Esses grupos organizaram dezenas de milhares de donas de casa em grupos de estudo, redes de redação de cartas e clubes patrióticos que coordenavam esforços para identificar e erradicar o que consideravam subversão. Os temas comuns que uniam os diversos grupos eram a oposição ao internacionalismo, particularmente às Nações Unidas; a oposição às disposições de bem-estar social (oposição a vários programas estabelecidos pelo New Deal); a oposição aos serviços de saúde pública, especialmente vacinação, serviços de saúde mental e fluoretação, todos denunciados por alguns como conspirações comunistas para envenenar ou fazer lavagem cerebral no povo americano; e a oposição a medidas para reduzir as desigualdades na estrutura social dos Estados Unidos. É difícil estimar o número de vítimas do macarthismo. O número de presos foi de centenas, e cerca de dez ou doze mil perderam seus empregos. A caça aos "pervertidos sexuais", que se presumia serem subversivos por natureza, resultou na demissão de mais de 5.000 funcionários federais, e milhares tiveram o emprego negado. No setor cinematográfico, mais de 300 atores, autores e diretores foram incluídos em uma lista negra não oficial de Hollywood e perderam a oportunidade de trabalhar. Listas negras existiam em todo o setor de entretenimento, em universidades e escolas de todos os níveis, na profissão jurídica e em muitos outros campos. Depois de meados da década de 1950, Joseph McCarthy perdeu gradualmente sua popularidade pública e credibilidade depois que várias de suas acusações foram consideradas falsas.
Imagem: panfleto publicado em maio de 1955 pelo Keep America Committee, instando os leitores a "combater o governo mundial comunista", opondo-se aos programas de saúde pública (fluoretação da água; vacinação contra polio e saúde mental. Clique na imagem para ampliar.

Tradução do texto:
Ao sinal dos TRÊS DIABÓLICOS
na figura:
ÁGUA FLUORETADA
SOROS DE MACACOS CONTRA A PÓLIO
HIGIENE MENTAL
PÚBLICO DESINFORMADO [a não conduzindo a criança em direção à água, a vacina e a higine mental]
Texto:
O senhor está disposto a COLOCAR NA MÃO dos TRÊS PROFANOS todos os recursos materiais, mentais e espirituais desta GRANDE REPÚBLICA?
ÁGUA FLUORETADA
1- A água contendo flúor (veneno de rato - sem antídoto) já é a única água em muitos dos campos do exército, o que torna muito fácil para os sabotadores eliminarem todo o pessoal do campo. Se isso acontecer, todos os cidadãos ficarão à mercê do inimigo - já às nossas portas.
SORO PARA PÓLIO
2- A vacina contra a pólio, segundo consta, já matou e mutilou crianças; seu efeito futuro sobre mentes e corpos não pode ser avaliado. Essa campanha de vacinação é a cunha de entrada para a medicina socializada em nível nacional, pelo U.S. Public Health Service [Serviço de Saúde Pública dos EUA] (fortemente infiltrado por médicos nascidos na Rússia, de acordo com o congressista Clare Hoffman). Em mãos inimigas, ela pode destruir uma geração inteira.
HIGIENE MENTAL
3- A Higiene Mental é um plano sutil e diabólico do inimigo para transformar um povo livre e inteligente em uma horda de zumbis. Rabino Spitz no American Hebrew de 1º de março de 1946: "Os judeus americanos devem enfrentar nossos antissemitas contemporâneos; devemos encher nossos manicômios com lunáticos antissemitas."
COMBATA O GOVERNO MUNDIAL COMUNISTA destruindo OS TRÊS DIABÓLICOS!!! É mais tarde do que você pensa!